Os gêneros digitais e a descoberta da autoria em textos acadêmicos - Júlio Araújo (UFC)
Identidade(s) docente(s) na era do letramento digital - Antonio Carlos Xavier (UFPE)
Trecho do filme: Narradores de Javé
O terceiro vídeo (Narradores de Javé- parte 1) mostra a realidade de um povoado em que a prática da leitura e escrita não é considerada importante, até que se vêem em uma situação em que surge tal necessidade.
A terra em que o povo morava não possuía escritura, a palavra de cada um era a própria escritura. Para identificar de quem era a propriedade, o povo cantava de que local até que local ia o seu pedaço de terra e isso era respeitado por todos e a propriedade passava de pai para filho.
Sem o recurso da leitura e escrita, eles acharam um meio de se comunicar e se entender, de criar um recurso com o mesmo valor para eles (o que se constitui nos gêneros literários daquela região), porém a leitura e escrita são importantes dentro do contexto social em que vivemos, pois não vivemos isolados e em determinado momento precisaremos utilizá-las.
Com o avanço da tecnologia há uma exigência cada vez maior que as pessoas não apenas saibam ler e escrever, mas que tenham conhecimento em todas as “novas tecnologias” que chegam de forma muito rápida e vão embora da mesma forma, dando lugar para outra. Quando a pessoa está aprendendo a mexer em determinada ferramenta, surge outra mais “atual”, com mais recursos e a anterior torna-se ultrapassada.
Essas novas tecnologias têm surtido muitos efeitos na sociedade como é mostrado no vídeo “Identidades docentes na era do letramento digital”. Um dos efeitos foi no aspecto das mudanças no mundo do trabalho exigindo novas formas de trabalho. Com a chegada da computação na área da educação houve o pensamento de que o computador substituiria o professor. Outro efeito foi a idéia de progresso em que predominou o pensamento de que quanto mais tecnologia mais qualidade de vida. As formas de aprendizagem também sentiram os efeitos, pois se antes o professor precisava alfabetizar em papel, ensinar a modelar a letra, hoje o professor precisa estar atualizado, pois as crianças já vêm na lógica do letramento digital o que exige que o professor mude sua forma de atuação e que esteja sempre atualizado às novas tecnologias.
Stuart Hall resume os sujeitos da modernidade como cartesiano (sujeito dono do seu discurso), descentrado (indivíduo sujeitado) e psico-social (sujeito que não é sujeitado as condições sociais).
O professor deve ter consciência do seu espaço de atuação e de que ele é ator e co-ator do processo de aprendizagem. Assim, o professor deve alinhar suas práticas às demandas do letramento digital e pensar em ser um docente inovador que rompe com a forma conservadora de ensinar, que busca reconfigurar saberes e que faz com que o professor tenha formas de ação que unam teoria e prática.
Esse docente inovador e articulador do processo de aprendizagem, fomentador de utopias e emancipações de diretrizes e, sábio, eclético e sincrético que colabora para o desenvolvimento de diferentes tipos de aprendizagem.
Dentro dessa prática do professor no segundo vídeo “Os gêneros digitais e a descoberta da autoria em textos acadêmicos”, são postos alguns recursos interessantes a serem utilizados, como por exemplo, o uso de blogs, fóruns em que a turma possa interagir e compartilhar informações e interesses de cada um. Se torna um espaço além da sala de aula para o educando se sentir a vontade para construir e reconstruir, elaborar e reelaborar seus conhecimentos de acordo com sua habilidade e seu ritmo; sendo assim uma ampliação do conhecimento.
Trabalhar gêneros textuais, a partir da construção de um artigo acadêmico e as questões que o cercam, observando as partes que compõem o artigo e sua estrutura também se constitui em importante fonte de aprendizado.
Trabalhos de pesquisa com o professor sempre orientando, produção de artigos, de textos próprios. O fórum e o blog serviriam como uma importante ferramenta para a construção do saber, onde os alunos postam seus questionamentos e têm acesso também as informações fornecidas pelos outros colegas. Aprender a construir um texto onde qualquer leitor que pegue o texto leia e entenda é importante. Se fizer uso de termos técnicos é viável que explique esses termos.
A experiência do fórum e do blog favorece a construção coletiva do conhecimento, e para aqueles que estão na monitoria podem desenvolver a questão da docência em outro ambiente, e nesse caso o virtual.
Em todos esses recursos explicitados o professor se faz presente como auxiliador nesse processo e fica clara a importância da leitura e escrita mesmo mudando a sua forma de ensino e aprendizagem.
Fábula é uma pequena narrativa em que se aproveita a ficção alegórica para sugerir uma verdade ou reflexão de ordem moral, com intervenção de pessoa, animais e até entidades inanimadas. (Modeiro Dicionário de Língua portuguessa-Michaelis)
Características das Fábulas:
A fábula trata de certas atitudes humanas, como a disputa entre fortes e fracos, a esperteza, a ganância, a gratidão, o ser bondoso, o não ser tolo.
Muitas vezes, no finalzinho das fábulas aparece uma frase destacada chamada de MORAL DA HISTÓRIA, com provérbio ou não; outras vezes essa moral está implícita.
Não há necessidade de descrever com muitos detalhes os personagens, pois o que representam nas fábulas (qualidades, defeitos) já é bastante conhecido.
Tempo indeterminado na história.
É breve, pois a história é só um exemplo para o ensinamento ou o conselho que o autor quer transmitir.
Conflito entre querer / poder.
O título não deve antecipar o assunto, pois não sobraria quase nada para contar.
A resolução do problema deve combinar com a sua intenção ao contar a fábula e com a moral da história.
CRÉDITOS: http://www.alessandrataelp.blogspot.com/
http://conexaoeducandoeaprendendo.blogspot.com/

O ursinho solitário
Existia um ursinho que vivia sempre sozinho, mas um dia muitos ursinhos mais populares, mais inteligentes,segundo ele, se aproximaram e se tornaram seus amigos.
Em todos os lugares que iam, se divertiam muito e sempre que se metiam em furada ou precisavam de ajuda, o ursinho solitário salvava o pelinho dos outros ursinhos.
Todos os dias se encontravam e os amigos ursinhos o elogiavam, diziam que o ursinho era o máximo. O ursinho que antes era solitário estava muito feliz, pois agora tinha amigos e não queria perder esses amigos de jeito nenhum.
Um dia o ursinho chegou e eles estavam comentando de como a festa do dia anterior tinha sido legal e o ursinho ficou boiando na parada. Só depois ficou sabendo que tinha sido a festa de um dos ursinhos e nem sequer foi convidado. Os ursinhos inventaram uma história para tentar se desculpar e o ursinho pensou:
-Eles são meus amigos, devem ter esquecido! Deixa pra lá!
Mais uma vez se viram em apuros e chamaram o ursinho, que logo ajudou. Na manhã seguinte, o ursinho recebeu a notícia de que todos os ursinhos da floresta iam ter que se dividir em grupos para um treino de sobrevivência na floresta e quem ficasse sozinho, que arrumasse um grupo ou fizesse o treino sozinho.
O ursinho correu para os seus amigos, certo de que se uniriam nessa aventura, mas quando chegou perto os ursinhos o ignoraram e se dividiram em grupos sem nem se importar com a presença do ursinho.
Moral da história: Quando estamos em apuros percebemos se os “amigos” que estão ao nosso lado são realmente nossos amigos.
Gênero Textual- Carta
Características de uma carta
A carta é utilizada para estabelecer comunicação, para transmitir uma mensagem de uma pessoa a outra, é um gênero textual que envolve um remetente e um destinatário. É escrita em primeira pessoa e visa um tipo de leitor.
Ao escrever uma carta deve-se utilizar a linguagem adequada ao tipo de destinatário, não perdendo a visão de para quem o texto está sendo escrito, podendo ser formal ou informal.
Geralmente é dividido em:
• Local e data
• Destinatário
• Saudação
• Interlocução com o destinatário
• Despedida.
Existem vários tipos de carta: pessoal, comercial, argumentativa, solicitação, informação, reclamação, do leitor.
A carta pessoal é usada quando queremos nos comunicar com alguém próximo, parente, amigos, conhecidos.A linguagem vai depender do grau de intimidade com o destinatário.
Texto produzido por Alessandra Nascimento, Jessica Delazari e Thayná Moreira.
Rio de Janeiro, 12 de Outubro de 2010
Querida Susana,
Sei que não esperava por esta carta, mas peço por favor que leia até o fim, pois é muito importante para mim.
Não sei se você lembra de mim, mas há exatamente seis meses nós dois estávamos em um Congresso de Culinária e eu era um dos rapazes que trabalharam naquele dia. Lembro o exato momento em que você chegou com mais três jovens. Eu fui um dos rapazes que os recepcionei.
No primeiro momento nem a olhei direito, pois estava muito envolvido no trabalho, na organização do evento. Mas como o evento durou 3 dias, não pude deixar de percebê-la.
No primeiro dia tentei me convencer de que era apenas mais uma moça dentre tantas que passaram por tal evento, mas as horas foram passando e incrível como não conseguia tirar os olhos de você, parecia que o evento se resumia a você.
Olhava para o seu jeito de falar, de agir e me encantava a cada momento, mas mesmo assim falava para mim mesmo que eu estava me enganando e que não era possível me apaixonar por uma pessoa que não conhecia.
Continuei lutando contra esses pensamentos e sentimentos,mas ao passar dos dias, o meu coração apertava e batia cada vez mais forte quando via você. Um sentimento tão forte que não conseguia entender, nem explicar. Meus amigos percebiam e diziam o quanto eu estava estranho e principalmente quando você passava por mim.
Passaram os três dias e chegou a hora da despedida do evento e de você, para sempre. Não tive coragem nem de me aproximar, muito menos de me declarar, pois não tinha certeza de meus sentimentos, ainda tentava me convencer que era loucura: Como me apaixonar por alguém que só vi durante três dias e que só sabia o nome, pois havia prestado atenção em seu crachá.
O Congresso terminou, e me convenci de que não a veria nunca mais e que tudo o que estava sentindo passaria, uma vez que jamais veria seu rosto novamente.
A cada dia que passava minha angustia aumentava, meu coração batia mais forte quando lembrava de você. Sua imagem não me saía da cabeça, eu não entendia o porquê.
Seis meses se passaram eu continuei nessa angustia e aflição toda vez que lembrava do seu rosto. Queria esquecer, mas não conseguia. Porém estava convencido de que não a veria mais.
Um dia estava em casa quando tocou a campainha: eram meus amigos de infância: João e Iara que não via há um ano mais ou menos. Fiquei muito feliz com a visita deles, passamos os tarde juntos e eles passaram o fim de semana em minha casa.
Iara quis me mostrar várias fotos de suas viagens, seus novos amigos. No meio de tantas fotos vi o rosto daquela menina do evento que pensei jamais ver de novo. Ela pegou a foto e disse ser uma grande amiga, menina inteligente, responsável, meiga, carinhosa... . A cada palavra dita, meus olhos se encheram d’água e meu coração quase saiu do peito. Expliquei minha história para os meus amigos e eles disseram que era engraçado, pois sua amiga não parava de falar em um rapaz de um evento que havia chamado muito a sua atenção e que não conseguia tirar da cabeça por mais que tentasse.
Nesse momento não me agüentei e comecei a chorar. Percebi naquele momento que não adiantava negar, que estava completamente apaixonado desde a 1ª vez que a vi, que desde aquele dia estava gravada no meu pensamento e coração. Durante três dias vi seu jeito de falar, de agir, de sorrir e me apaixonei por você. Quis me enganar, mas não consegui, quis lutar, mas não tive forças, pois o sentimento era muito mais forte do que qualquer tentativa de sufocá-lo.
Susana, hoje tenho a certeza de que esses meses que sofri valeram muito a pena, pois se tivesse me envolvido com outra pessoa talvez estivesse infeliz e não tivesse a chance que estou tendo agora. Agora sei que eu estou completamente apaixonado por você, não tenho mais dúvida, nem quero mais lutar contra isso. Só tenho uma certeza: não quero passar mais um minuto da minha vida longe de você!
Essa carta está sendo entregue em mãos pela Iara e pelo João. Sei que uma declaração via carta pode não ser tão romântico quanto pessoalmente, mas essa foi a forma que encontrei de de expressar o meu amor e me declarar.
Até logo, Guilherme
Obs: Por favor quando terminar de ler, vire-se para trás!


Os gêneros se referem ao tratamento da língua em seu dia-a-dia nas mais diversas formas orais e escritas, na estrutura comunicativa de nossa sociedade caracterizam-se pela sua funcionalidade, seja ela cognitiva( conhecimento, aprendizagem), comunicativa( interação com o outro) ou institucional (relacionadas as instituições).
Para Marcuschi, os gêneros são formas culturais e cognitivas de ação social. Ele é essencialmente flexível e variável. Os gêneros variam como a língua, adaptando-se, renovando-se e multiplicando-se.
Podemos citar como exemplos de gêneros textuais: telefonema, sermão, carta comercial, carta pessoal, romance, bilhete, reportagem, aula expositiva, reunião de condomínio, notícia jornalística, horóscopo, receita culinária, bula de remédio, lista de compras, cardápio de restaurante, instruções de uso, inquérito policial, resenha, edital de concurso, piada, conferência, carta eletrônica, bate papo por computador, aulas virtuais, conto, crônica, lenda, fábula, etc.
Um ponto muito importante que Marcuschi (2002:25) destaca é que “em todos
os gêneros também se está realizando tipos textuais, podendo ocorrer que o mesmo
gênero realize dois ou mais tipos. “Assim, um texto é em geral variado (heterogêneo)”.
Cada gênero necessita de um ensino mais específico, pois cada um apresenta
características distintas. No entanto a tipologia textual (Tipo de texto) pode-se dividir em: narração, o que se quer é contar, dizer os fatos, acontecimentos; descrição, o que se quer é caracterizar, dizer como é; dissertação busca-se o refletir, o explicar, o avaliar, o conceituar, expor idéias para dar o conhecer, para fazer saber, associando-se à análise e à síntese de representações; e injunção, diz-se aquilo que se quer, que determina, desejada, o que e/ou como fazer, incita-se à realização de uma situação e argumentação, que defende idéias, atribui qualidade a algo ou alguém.
O ensino da língua materna tem como um de seus objetivos o desenvolvimento da competência comunicativa. Isso significa que o aluno deve ser capaz de usar o maior número possível de recursos da língua para a produção de efeitos de sentido de forma adequada a cada situação específica de interação comunicativa. (TRAVAGLIA, 1997, p.17-18).
Por isso é muito importante que o aluno trabalhe com os gêneros textuais em sala de aula, tenha contato e conheça suas características nos seus mais diversos usos do cotidiano. Além disso, o trabalho com gêneros contribui para o aprendizado de prática de leitura, de produção textual e de compreensão.
BIBLIOGRAFIA:
MARCUSCHI, L. A. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: DIONÍSIO, A. P.; MACHADO, A.
TRAVAGLIA, L.C. Gramática e interação: uma proposta para o ensino de gramática no 1° e 2° graus. São Paulo: Cortez, 1997. 245 p.
SLIDE REFERENTE AO TEXTO: DA FALA Á ESCRITA OS SABERES DA ORALIDADE E O
INÍCIO DE PRODUÇÃO ESCRITA DE Maria Alice Fernandes de Sousa